Litíase Urinária
Litíase Urinária é a presença de "pedras ou cálculos” em algum local do sistema urinário. Os locais mais frequentes de instalação do cálculo são no rim e no canal por onde a urina é transportada, entre o rim e a bexiga, o ureter. Uma aglomeração de cristais constituídos de cálcio, em 70% dos casos no aparelho urinário, acaba levando a uma precipitação dos mesmos, formando a pedra.
A urolitíase tem prevalência de 1 a 5% e pico de incidência dos 20 aos 50 anos de idade; é duas (2) a três (3) vezes mais comum no sexo masculino. A taxa de recorrência é de 10% por ano. Cerca de 80% dos cálculos são eliminados espontaneamente, porcentagem que diminui gradualmente se o cálculo for maior que 6mm. Complicações são incomuns e a insuficiência renal poderá ocorrer se houver obstrução ureteral completa por mais de duas (2) ou três (3) semanas.
A sintomatologia aguda dos cálculos urinários é a dor intensa, em cólica, na região lombar e/ou flanco que surge subitamente e irradia para a pelve, testículo ou grande lábio, do mesmo lado.
Quanto a etiopatogenia da litíase urinária, sabe-se que existe uma forte tendência familiar (herança genética) que determina a ocorrência dos cálculos; alterações na função renal podem desencadear a formação dos cristais (distúrbios no metabolismo); infecção urinária pode favorecer o crescimento de cálculos; pouca ingesta hídrica (sais presentes na urina se concentram por causa da falta da água para dissolvê-lo); sedentarismo também contribui para formação de cáculos, pois quando o corpo para por muito tempo, os ossos deixam de usar o cálcio e pode formar cálculo na urina; quem ingere cálcio ou ácido úrico exageradamente - substância presente nas carnes vermelhas, crustáceos, vísceras - tem maior facilidade para desenvolver cálculo.
Entre 70% e 90% dos cálculos são expelidos naturalmente. Se isso não ocorrer, uma intervenção do médico se faz necessária.
A litotripsia extracorpórea é o método mais usado nos tratamentos de cálculos renais e costuma resolver 70% dos casos.
Ondas sonoras de alta frequência, geradas em um meio líquido, atravessam a pele e tecidos moles do paciente até se concentrarem no cálculo. O choque fragmenta o cálculo e permite a sua eliminação pela urina. Quando as pedras estão muito grandes, é recomenda a litotripsia direta. Esta é realizada através da colocação de instrumentos (via percutânea ou endoscópica, dependendo da localização do cálculo) que chegam perto do cálculo e o fragmentam, também com o uso de ondas de alta freqüência. Em casos ainda mais graves, quando outras técnicas falharam, a solução é a cirurgia aberta.
Para prevenção costuma-se recomendar, como primeira medida, beber muito líquido. Isso pode reduzir em até 90% os riscos de surgirem pedras nos rins. Diminuir a ingesta salina e manter uma dieta mais saudável também ajudam.
Dr Maurício Antunes de Lima
Urologia e andrologia - CRM 26448
Titular da Sociedade Brasileira de Urologia (Tisbu)
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